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José Malhoa (1855-1933), alma portuguesa.


Considerado por muitos como o mais português dos pintores, Mestre Malhoa retrata nos seus quadros o país rural e real, costumes e tradições das gentes simples do povo, tal qual ele as via e sentia.


Registou, nas suas telas, valores etnográficos da realidade portuguesa de meados do séc. XIX e princípios do séc. XX, valendo-lhe o epíteto de ‘historiador da vida rústica de Portugal’. Nascido a 28 de Abril de 1855, nas Caldas da Rainha, José Victal Branco Malhoa é oriundo de uma família de agricultores.

Cedo evidenciou qualidades artísticas. Gaiato, traquina, brincalhão, passava os dias a rabiscar as paredes da travessa onde vivia. Aos doze anos, o irmão inscreve-o na Academia Real de Belas-Artes. No fim do primeiro ano, a informação do professor de ornato e figura indicava “pouca aplicação, pouco aproveitamento e comportamento péssimo”. Porém, ele depressa revela aptidões que lhe dariam melhores classificações.


Passava as tardes a desenhar os arredores de Lisboa, sobretudo a Tapada da Ajuda e Campolide. Tendo concluído o curso, pensou em completar a sua educação artística no estrangeiro e entrou em dois concursos para pensionista do Estado. Nada conseguiu, porque o subsídio foi concedido a outro com importantes cunhas. Devido às reclamações, a Academia acabou por não mandar ninguém.


Malhoa pensou até em desistir da pintura e empregou-se como caixeiro na loja do irmão mas, seis meses depois, já pintava ‘A Seara Invadida’, cujo êxito fê-lo repensar a desistência e ele decide consagrar-se por inteiro ao ofício de pintor.


Em 1880 ajuda a fundar o Grupo de Leão, com Columbano Bordalo Pinheiro e Silva Porto, entre outros. Trata-se de uma tertúlia de jovens artistas que se fazia em uma cervejaria de Lisboa com o mesmo nome. O grupo vai influenciá-lo na sua opção por pintar ao ar livre, no campo, o que pratica muito em Figueiró dos Vinhos, onde adquiriu a sua casa (ou o seu casulo, como
a chamava).


A partir de 1888, interessa-se também pela pintura histórica. Realiza “Partida de Vasco da Gama para a Índia”, 1º prémio no Concurso para Quadro Histórico promovido pela Câmara Municipal de Lisboa, e ‘O Último Interrogatório do Marquês de Pombal’. Do mesmo ano datam os primeiros retratos que pintou; o mais célebre, descrito como ‘A Gioconda de Malhoa’, a sua obra-prima, é o ‘Retrato de D. Laura Sauvinet’, que era sua aluna.


É dentro das cenas de género de temas rurais – costumes e tradições portuguesas, trabalho e amores do povo, festas religiosas ou pagãs … “que pinta sorrindo e cantando, quotidianamente, de sol a sol” (Ramalho Ortigão) - que se encontram alguns dos seus quadros mais emblemáticos: A Volta da Romaria, de 1901 (coleção particular); Os Bêbados de 1907 (Museu do Chiado); O Fado, de 1910 (Câmara Municipal de Lisboa, em exposição no Museu do Fado); As Promessas, de 1933 (Museu de José Malhoa).


Por volta dos anos 20-30, Malhoa começou a representar também a burguesia nos seus quadro de género, realizados com uma pincelada vincada, fortes manchas de luz e cores contrastantes, como são exemplo Hortenses de 1923 (coleção particular) ou À Beira-Mar - Praia das Maçãs de 1926 (Museu do Chiado).


Em 1928, é-lhe prestada uma grande homenagem nacional com a realização, em Lisboa, da exposição retrospetiva da sua obra, e também foi aceite como membro da Academia Nacional de Belas-Artes.

Em 1933 foi criado o Museu José Malhoa, nas Caldas da Rainha. Trata-se do primeiro museu construído de raiz em Portugal. Reúne colecções de pintura, escultura, medalhística, desenho e cerâmica dos séculos XIX e XX, centradas no Academismo, Naturalismo, e Tardo-Naturalismo. Destacam-se os núcleos de pintura de José Malhoa, de cerâmica de Rafael Bordalo Pinheiro e de estatuária de Francisco Franco e Leopoldo de Almeida. A pintura catalogada como numero 1 do museu seria “Dona Leonor”, retratada como uma jovem por Malhoa en 1926.


Malhoa chegou a retratar o príncipe D. Luís Filipe, a quem deu lições de desenho. O quadro, quando da implantação da República, estava exposto na Liga Naval, onde entrou um bando de revolucionários que, de escopeta em punho, se dispôs a retalhar a famosa tela. Inesperadamente, um popular colocou-se à frente e avisou: “Aqui ninguém toca. É um quadro de Malhoa…”

As obras de Malhoa foram desde sempre apreciadas no Brasil e num leilão que decorreu no Rio de Janeiro, o quadro ‘O Emigrante’, óleo sobre tela, medindo 80x104cm, de 1918, foi arrematado depois de uma ‘briga’, pelo telefone, entre dois incógnitos licitantes.

Malhoa escreveria a sua esposa “Oh, Julia, acho que estamos ricos”...


Rapariga da Galiza

                                                             Retrato da Minha Mulher

“O retábulo de Nossa Senhora da Consolação” foi o último trabalho executado por Malhoa, oferecido à Igreja Matriz de Chão de Couce, no concelho de Ansião.

José Malhoa morreu em Figueiró dos Vinhos, no seu “Casulo”, a 26 de Outubro de 1933.


Lista das pinturas de J. Malhoa 

04/05/21 - BMAD - Berardo Museu de Arte Deco.

"Casal vestido à romana", 2015 - Jose Malhoa 


 Se imagina que foi uma pintura encomendada.

No detalhe, a firma do pintor.



21/05/21


                   Embraçar cebolas, 1896 - Bibl.  Munic.  de Figueiró dos Vinhos -